Atlanta em definitivo

Fonte: Brasil Energia

 

Por: Cláudia Siqueira

 

 

Campo de óleo pesado da Bacia de Santos terá sua primeira grande licitação

 

A Enauta está prestes a iniciar as primeiras contratações de bens e serviços destinados ao desenvolvimento do sistema definitivo de Atlanta, campo de óleo pesado localizado na parte Norte da Bacia de Santos. A petroleira encaminhou à ANP solicitação para alterar alguns detalhes técnicos do plano de desenvolvimento da área e, agora, se prepara para disparar, até o início de março, os convites do bid para afretamento de um FPSO por 20 anos.

 

A plataforma será de médio porte, com capacidade para produzir 50 mil bopd  e estocar 1 milhão de barris. Até o início do ano, a Enauta vinha trabalhando com opções de planta variando entre 50 mil bopd e 70 mil bopd.

 

Os ajustes submetidos à agência reguladora não são públicos, mas fontes asseguram que não há proposta de alteração expressiva no plano original, elaborado pela Shell, quando a petroleira anglo-holandesa ainda respondia pela operação do ativo.

 

Com o encaminhamento do pedido de atualização, a Enauta cumpre a última pendência para liberação da contratação da unidade de produção – o que poderá acontecer antes mesmo do carnaval.

 

A entrada em operação do sistema definitivo do campo está programada para ocorrer entre o final de 2022 e o início de 2023. A data exata do primeiro óleo dependerá, basicamente, da resposta do mercado à contratação do FPSO.

 

Diante do aquecimento do mercado de navios-plataformas, o desfecho da concorrência da Enauta é considerado incerto. Uma das alternativas no radar considera a utilização do FPSO OSX 2, que está parado no exterior e que exigiria obras de adaptações na planta de produção e no turret.

 

A julgar pelo tipo de FPSO, a disputa pelo contrato tende a atrair a atenção de operadoras como Ocyan, Teekay, Bumi Armada e Bluewater. O mercado dá como certa a ausência da SBM e Modec, grupos tradicionalmente focados em unidades maiores.

 

Com a Teekay operando o sistema antecipado de produção de Atlanta (FPSO Petrojarl 1, instalado no campo desde 2018), a expectativa é que o grupo norueguês leve certa vantagem na disputa por já manter relação comercial com a Enauta e conhecer com mais profundidade os detalhes do projeto. Conectado a três poços, o sistema provisório vem produzindo cerca de 30 mil boed.

 

Duas fases

 

Orçado em US$ 1,5 bilhão, o projeto definitivo de Atlanta terá um total de 12 poços, e sua implantação será dividida em duas etapas. Na primeira fase, serão conectados oito poços produtores, três ou quatro dos quais serão remanejados do sistema provisório.

 

O plano da Enauta é começar a perfurar os poços restantes da primeira fase em 2022, o que demandará o afretamento de uma sonda em 2021. O segundo estágio contará com quatro poços adicionais.

 

Além da campanha de desenvolvimento da produção do sistema definitivo, a petroleira brasileira programa a perfuração de um poço exploratório para pesquisa de outro prospecto já identificado na área.

 

Novo poço no radar

 

Disposta a manter o patamar de produção do sistema provisório em 30 mil bopd, a Enauta poderá perfurar um novo poço produtor no ativo no primeiro trimestre de 2021. A campanha foi aprovada pelo board do grupo, que já tem os equipamentos subsea encomendados.

 

A confirmação da campanha dependerá exclusivamente do comportamento da produção do reservatório ao longo dos próximos meses. Caso o volume de óleo extraído registre queda, a Enauta irá a mercado no final de 2020 para contratar uma sonda.