Campo de Manati permanece no portfólio

Sob o ponto de vista estratégico, demos um importante passo em nossos planos a partir de 2022. Com a alta no valor do gás e a valorização do ativo desde o momento em que a transação havia sido feita, ainda em 2020, o Campo de Manati volta ao papel de importante gerador de caixa para a empresa.

 

Decidimos voltar atrás na venda da fatia no Campo de Manati, acordo que havia sido fechado em agosto de 2020 com a Gas Bridge para alienação de 45%, percentual que cabe à participação da companhia.

 

Um dos maiores campos de gás do país, localizado da Bahia de Camamu (BA), Manati, além de voltar a ser um dos principais geradores de caixa para a companhia, está sendo analisado para uma iniciativa inédita: ser transformado em um reservatório para estocagem de gás, operação que ainda não acontece no Brasil.

 

Revisitamos alguns planos, como o de focar em exploração, e optamos por decisões mais estratégicas para investir em um portfólio equilibrado. Nosso objetivo é nos tornarmos na companhia independente com o portfólio mais equilibrado em atuação no Brasil.

 

“Manati é um ativo que sempre foi importante para a geração de caixa da Enauta. Quando chegamos ao final de 2021, optamos por não prosseguir com o deal, já que as condições não foram cumpridas no tempo previsto”, explica nosso CEO, Décio Oddone. “Com isso, fortaleceremos um dos pontos do nosso tripé da empresa, que é a geração de caixa através de ativos de produção”.

 

Campo de Manati pode ser usado para estocagem – A operação para a utilização do reservatório para armazenar gás natural teria como objetivo atender o mercado em momentos de falta. O fato de estar em uma localização estratégica, conectada a rede de gasoduto do Nordeste, por Salvador (BA), é mais um fator fundamental a ser levado em consideração.

 

O momento é de avaliar como o Campo será melhor aproveitado – além da possibilidade de estocagem, trata-se de um campo antigo, mas com anos de produção à frente, lembra Décio.

 

“São pontos positivos para levarmos adiante. O importante, ainda, é que iremos fortalecer a geração de caixa da empresa, que estava muito concentrada no Campo de Atlanta. Trazer essa diversidade também é essencial”, afirma Décio. Conforme citado anteriormente, a Gas Bridge propôs uma eventual associação no projeto de transformar o reservatório de Manati, caso venha a ter sucesso na aquisição da participação dos parceiros da Enauta no campo – Petrobras, PetroRio e Geopark.

 

Décio destaca ainda que o Brasil é um grande importador de GNL, o que valoriza ainda mais o Campo de Manati.

 

“Na Europa, vimos o preço de gás atingir valores inéditos, quando o que geralmente observamos é o gás sendo negociado a um sexto do preço do petróleo. Temos que lembrar ainda que a produção de gás natural é ambientalmente melhor do que atuar somente no petróleo. As companhias precisam se preocupar com a transição energética e a pegada de carbono. É preciso que pensem na sustentabilidade de seus negócios”, comenta.

 

Produção no Campo de Manati – Atualmente, cerca de 3 milhões de metros cúbicos de gás por dia são produzidos, gerando entre 150 e 250 milhões de reais por ano para a companhia, variando de acordo com o preço do gás. Agora, com a anulação da venda, o caixa que vinha sendo gerado pelo ativo desde a transação passa a ser direcionado para a Enauta.