Pará-Maranhão no radar

Fonte: Brasil Energia

 

Por: Gabriela Medeiros

 

 

A Enauta obteve bons resultados na avaliação do levantamento sísmico 3D conduzido nos blocos PAMA-M-265 e PAMA-M-337, na Bacia do Pará-Maranhão. Com 100% das concessões após a saída da Pacific Rubiales dos projetos, a petroleira brasileira busca uma sócia para perfurar um poço na região – compromisso que deve ser cumprido até 2024.

 

As áreas foram arrematadas na 11ª rodada da ANP, em 2013, mas a companhia ganhou mais tempo para concluir a fase de exploração devido ao atraso no licenciamento ambiental na Margem Equatorial.

 

“A Margem Equatorial é uma região de fronteira, então, para uma companhia pequena como nós, a ideia é não estar sozinhos nessas áreas”, explica o CEO da Enauta, Lincoln Guardado.

 

De acordo com o executivo, o farm-out nos blocos tem gerado interesse no mercado, atraindo mais empresas que a venda de participação em sua concessão na Foz do Amazonas (FZA-M-90). A  expectativa é concluir a operação até o final deste ano.

 

“Até então havia poucos dados sobre essas áreas. Uma das características da Foz é que grandes companhias já estão lá, como Total, BP e Petrobras, com uma prospectividade razoavelmente mapeada da região. Mas, no Pará-Maranhão, não há muitas empresas, então a bacia desperta mais interesse porque o conhecimento é menor”, explica o CEO.

 

Atividades já realizadas na Bacia do Pará-Maranhão indicam a presença de óleo leve na região/ Cortesia Enauta

 

Além da Enauta, apenas a Petrobras tem concessões na bacia: os blocos PAMA-M-192 e PAMA-M-194 foram arrematados na 6ª rodada, mas seus contratos estão suspensos. A estatal chegou a perfurar um poço no prospecto Harpia, que encontrou petróleo em 2011, mas, desde então, as atividades na região estão interrompidas.

 

Segundo a ANP, há apenas 34 poços exploratórios perfurados no Pará-Maranhão, dos quais 25 resultaram secos, sem indícios ou foram abandonados. A maior parte das campanhas de perfuração ocorreu entre o final da década de 1970 e o início dos anos 90, incluindo um poço em águas profundas.

 

Ainda não há campos em desenvolvimento ou produção na bacia, que guarda semelhança com os sistemas petrolíferos testados com sucesso em Sergipe-Alagoas, na Guiana e na Margem Oeste africana. Neste último caso, um exemplo é o da descoberta de Jubilee, prospecto encontrado na costa de Gana em 2007, com cerca de 800 milhões de barris recuperáveis de óleo.

 

No ano que vem, operadoras terão a oportunidade de arrematar blocos no Pará-Maranhão, durante a 17ª Rodada da ANP. A última vez que a bacia teve ativos ofertados foi em 2013, e, hoje, a agência reguladora estuda oferecer cerca de 50 blocos na região em futuras fases do regime de oferta permanente de áreas.

 

Diante desse cenário, prestadores de serviços sísmicos vêm intensificando o mapeamento da bacia. Em 2018, por exemplo, a Spectrum solicitou ao Ibama autorização para realizar uma campanha 2D no Pará-Maranhão. A companhia já detinha conhecimento sobre a bacia, já que, em 2015, comprou 11.500 km de dados 2D levantados pela Fugro.