Uma independente cheia de pioneirismo e de geração de valor

Fonte: Subsea World Magazine

 

Com iniciativas inéditas no país e integração de tecnologias, a Enauta pretende construir o portfólio de upstream mais equilibrado e com maior potencial de geração de valor no Brasil. Saiba como nesta entrevista exclusiva com Décio Oddone, Diretor-Presidente da companhia.

 

Quais são os planos de investimento e crescimento da Enauta no Brasil?

 

O Brasil tem boas previsões em termos de produção de petróleo e gás. Com as transformações que o setor vem sofrendo, surgem novas oportunidades de crescimento para empresas como a Enauta
e temos planos traçados para aproveitá-las. Como exemplo, cito o Campo de Atlanta, para o qual temos um planejamento detalhado e fornecedores contratados para fazer a transição do Sistema de Produção Antecipada para o Sistema Definitivo. O projeto receberá investimentos relevantes, incluindo a perfuração de novos poços, o que dará início a uma nova etapa na produção no Campo. Nossa estimativa
é atingir cerca de 50 mil barris por dia em 2024. Para tal, esses próximos dois anos serão cruciais. Nos preparamos arduamente para isso, com a escolha dos melhores prestadores de serviço do mercado e aquisição de equipamentos de alta qualidade. Com a permanência do Campo de Manati, temos ainda boas expectativas na produção de gás natural e de geração de caixa. A transição energética é inexorável e acreditamos que haverá a coexistência de diferentes tipos de fontes de energia por muito tempo. Por isso, acreditamos em investimentos na produção de petróleo com baixo custo e baixa emissão de GEE e de gás natural. Por essa razão, no planejamento da companhia, investimentos em energias renováveis
devem vir mais à frente. Além disso, também temos boas expectativas de descobertas na Bacia de Sergipe-Alagoas, onde iniciamos o primeiro poço exploratório.

 

Muitas, ou quase todas, as empresas de exploração e produção de petróleo estão migrando os investimentos e portfólio para renováveis, para geração de energia mais limpa. Como a Enauta está se posicionando nessa transição, seja em suas operações ou como novas possibilidades de negócio?

 

Planejamos consolidar a empresa como a independente com o portfólio de upstream mais equilibrado e com o maior potencial de geração de valor no Brasil. Isso feito, vamos pensar em como investir em renováveis. A decisão de não concluir o deal referente ao Campo de Manati é um exemplo de como enxergamos a oportunidade de fazer parte da transição energética. A produção de gás natural é ambientalmente menos impactante que a de petróleo. Acreditamos que é essencial que as companhias do setor se preocupem com a transição energética e a pegada de carbono. Diversificar nosso portfólio também é uma questão de sustentabilidade e cremos que as empresas que não levarem isso a sério ficarão para trás.

 

Por que a Enauta decidiu ficar com o Campo de Manati? Quais são os planos? Existe a possibilidade de parceria com a Gas Bridge para construção do projeto de estocagem de gás?

 

Iniciamos as negociações em 2020, porém, desde então, o cenário mudou. Hoje, Manati voltou a ter um importante papel na geração de caixa da empresa, principalmente considerando a alta no preço do gás e a valorização do ativo. O acordo em questão havia sido fechado em meados de 2020, com a Gas Bridge, para alienação de 45%, percentual referente à participação da Enauta no Campo. Ao final de 2021, como as condições necessárias não foram cumpridas, decidimos não dar continuidade ao deal. Sob o ponto de vista estratégico, foi um passo importante. Revisitamos alguns de nossos planos e essa é mais uma decisão que adotamos para ter um portfólio mais equilibrado. O objetivo da Enauta é se tornar a companhia brasileira independente com o portfólio com maior chance de gerar valor para os acionistas. Com Manati, fortalecemos um dos alicerces dos nossos planos, que é justamente o da geração de caixa por meio de ativos de produção. O Campo de Manati, na Bahia de Camamu (BA), é um dos maiores campos de gás do Brasil. Em um país como o nosso, que é grande importador de gás natural, no momento em que vivemos, esse ativo se torna ainda mais valioso. Para além da geração de caixa mencionada acima, estamos analisando a possibilidade de uma iniciativa inédita no país, que é transformá-lo em um reservatório para estocagem de gás. Essa operação teria como objetivo o armazenamento de gás natural para atender ao mercado em momentos de escassez. Por sua localização estratégica e a ligação à rede de gasoduto por Salvador (BA), a ideia mostra-se viável e está sendo considerada com atenção. No momento, estamos avaliando o que é melhor, produzir até o final da vida útil ou converter para estocagem.

 

Quais foram as lições aprendidas com o sistema de produção antecipada de Atlanta para o sistema definitivo?

 

Graças a todo conhecimento técnico que adquirimos sobre Atlanta, algo que só nos foi possível graças ao Sistema de Produção Antecipada, pudemos desenvolver um projeto mais confiável, robusto, resiliente e sustentável para o Sistema Definitivo. Levantamos informações importantes para a elaboração de um plano de desenvolvimento mais eficiente operacionalmente, possibilitando uma relevante redução de investimentos, com consequente melhoria da rentabilidade. O Campo de Atlanta é hoje o principal ativo de produção de petróleo da Enauta. O projeto já tem três poços em produção. Outros serão perfurados a partir deste ano. Com a revisão do cronograma, a previsão atual é de uma produção com seis a oito poços na primeira fase do Sistema Definitivo. Recentemente, anunciamos a compra do FPSO OSX-2, que passou a se chamar FPSO Atlanta. Com essa configuração, a previsão é atingir cerca de 50 mil barris de óleo por dia, em 2024.

 

O novo FPSO de Atlanta colocará a Enauta em um outro patamar? Qual a importância desse incremento na produção para o futuro da empresa?

 

Certamente, será um passo muito relevante para nós. Os termos negociados permitem que o projeto venha a ter um ‘breakeven’ baixo e um retorno atraente. Com a aprovação do projeto, a produção de Atlanta chegará, como falei, à casa dos 50 mil barris de óleo por dia em 2024, gerando expressivo valor para os nossos acionistas, o que é um dos nossos principais objetivos. Ressalto ainda que o projeto do Sistema Definitivo será pioneiro no Brasil em relação à integração de tecnologias para gestão eficiente de carbono.

 

A Enauta tem investido muito em ESG: no pilar ambiental, com redução das emissões, e no social com a diversidade. Essa sempre foi uma vertente da empresa ou mudou com a sua chegada? Qual é o impacto no negócio quando se alcança resultados positivos nesta área?

 

Estes sempre foram um dos principais pilares da empresa, que eu venho ajustando às demandas do nosso tempo. Faz parte da estratégia da Enauta considerar o nosso impacto, por menor que seja, no mundo que nos cerca. Pode ser pequeno em nível global, mas é relevante no nosso entorno. Por isso, tentamos fazer o melhor possível. O ESG está no DNA da Enauta, mesmo antes de se tornar uma sigla conhecida ou da disseminação desses princípios. Além do incentivo à diversificação do portfólio, que
ajuda na sustentabilidade financeira, a redução das emissões de gases de efeito estufa, o respeito ao meio ambiente e às pessoas, a inclusão e a geração de oportunidade para os nossos funcionários, fazem parte dos objetivos principais da companhia. Em 2020, reduzimos em 7% as emissões diretas no Campo de Atlanta, ano em que a Enauta recebeu a nota B no CDP, entidade que avalia as emissões de carbono por companhias, registrando a intensidade de 15,2 kg de CO2 e/BOE (barril de óleo equivalente). Já em 2021, estabelecemos a meta restritiva de intensidade de CO2 equivalente ao patamar da OGCI (Oil and Gas Climate Initiative) de 2019, e recebemos pelo sexto ano consecutivo, o Selo Ouro do Programa Brasileiro GHG Protocol (PBGHG), que representa o mais alto nível de qualificação fornecido pelo PBGHG, reafirmando nosso compromisso com a transparência nos dados sobre emissões. Além disso, evitamos a utilização de diesel em nossas operações, consumindo gás produzido como fonte de energia primária do FPSO. Também destaco iniciativas como a otimização da frota de apoio e do uso dos helicópteros como bons exemplos. A consolidação de um ambiente profissional diverso e inclusivo faz parte da nossa estratégia. Em nossa equipe, 40% da força de trabalho e da nossa liderança é formada por mulheres. Há uma década, publicamos nosso relatório anual de sustentabilidade, que atende padrões internacionais. Somos também a primeira empresa brasileira a assinar o Sustainable Ocean Principles,
que é uma iniciativa das Nações Unidas que visa à gestão sustentável dos oceanos.

 

Sobre novas aquisições, a Enauta continua olhando oportunidades em campos maduros no mar e em terra? Poderia falar um pouco mais sobre os planos de adquirir novos ativos?

 

A Enauta é hoje uma empresa com fôlego e robustez para buscar oportunidades. Nosso interesse é maior em ativos já em produção. Estamos constantemente atentos a boas oportunidades no mercado, mantendo a aquisição de novos ativos em nosso radar. Isso faz parte da estratégia para expandir nossa atuação no mercado. Acreditamos que existem opções interessantes para empresas de petróleo independentes no Brasil. Primeiramente, vamos ampliar a produção de petróleo e gás. Mais à frente avaliaremos investir em novas fontes de energia. Nossa estratégia para gerar valor passa por reforçar a produção de hidrocarbonetos no curto prazo, adquirindo ativos em produção; implementar o SD de Atlanta no médio prazo e explorar os blocos que temos em Sergipe-Alagoas e na Margem Equatorial, mais à frente, tornando nosso portfólio o mais diversificado entre as empresas independentes atuando no upstream no Brasil.